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“Na primeira noite
Eles aproximam-se
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada. Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam o nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.”
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Nas escolas há uma cultura instalada: a de desvalorizar comportamentos agressivos dos alunos. O ministério por meio da legislação e da indefinição de ligislação(estatuto do aluno – qual deles está em vigor?) torna a impunidade, uma regra. As punições, aliás, por muitos dos visados, são vistas como mero divertimento. Para quando a responsabilização dos pais? E as coisas foram-se passando tendo chegado a Educação a um estado perfeitamente caótico(permissividade total para alunos/intransigência para professores, agravada pela situação destes, no espaço turma em que se encontram na mais absoluta minoria). No meio do desinteresse da tutela, que apenas soube produzir comentários descabelados, surgiu uma voz lúcida tentando introduzir regras e falar dos acontecimentos da escola sem recorrer à miséria de ideias do eduquês.Bem haja o PGR pela sua frontalidade e ter assumido as responsabilidades a que outros fugiram.
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(…)
Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.
E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.
A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.
E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.
E nós deixamos.
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Nem todas as viagens são exteriores. Há viagens interiores. Viagens que fazemos dentro do nosso mundo de sensações. Tudo o que nos resta de qualquer vivência é sempre interior.
Há a experiência rotineira repetitiva quotidiana que não pretende mais do que conservar a vida que temos e que socialmente partilhamos. Resta-nos a aventura interior para um conhecimento que vai além do simples quotidiano. Partimos para a aventura noutras regiões das nossas capacidades. Esquecemos compartimentos artificialmente criados no espírito por outras informações e abalançamo-nos no campo da ignorância. A aventura é avançar naquilo que é proibido e onde não se tem a certeza de ser compensado, é tentar o inútil. A nossa vida é condicionada por cortes, renúncias, limites, pausas, atitudes auto e hetero-reguladoras. Mas também somos e estamos feitos de sonhos e sonhar é aquilo que mais intimamente significativo nos acontece na vida. Para as nossas viagens interiores precisamos da coragem, de admitir este facto e assumi-lo. Captar o tempo. Criar imagens. Organizar o espaço e atribuir-lhe significado. Dar lugar ao sonho e fazer uma tentativa de atribuir símbolos à vida quotidiana.Dar expressão à incerteza e fazer com que ela seja uma condição de liberdade para tudo o que intimamente vamos imaginando. Abrimos assim caminho à criatividade mais compatível com a imaginação que as certezas e acertos convencionais e quotidianos.Todo este divagar é a introdução ao meu blog.