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Nem todas as viagens são exteriores. Há viagens interiores. Viagens que fazemos dentro do nosso mundo de sensações. Tudo o que nos resta de qualquer vivência é sempre interior.
Há a experiência rotineira repetitiva quotidiana que não pretende mais do que conservar a vida que temos e que socialmente partilhamos. Resta-nos a aventura interior para um conhecimento que vai além do simples quotidiano. Partimos para a aventura noutras regiões das nossas capacidades. Esquecemos compartimentos artificialmente criados no espírito por outras informações e abalançamo-nos no campo da ignorância. A aventura é avançar naquilo que é proibido e onde não se tem a certeza de ser compensado, é tentar o inútil. A nossa vida é condicionada por cortes, renúncias, limites, pausas, atitudes auto e hetero-reguladoras. Mas também somos e estamos feitos de sonhos e sonhar é aquilo que mais intimamente significativo nos acontece na vida. Para as nossas viagens interiores precisamos da coragem, de admitir este facto e assumi-lo. Captar o tempo. Criar imagens. Organizar o espaço e atribuir-lhe significado. Dar lugar ao sonho e fazer uma tentativa de atribuir símbolos à vida quotidiana.Dar expressão à incerteza e fazer com que ela seja uma condição de liberdade para tudo o que intimamente vamos imaginando. Abrimos assim caminho à criatividade mais compatível com a imaginação que as certezas e acertos convencionais e quotidianos.Todo este divagar é a introdução ao meu blog.
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