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Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.
E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.
A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.
E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.
E nós deixamos.
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Há indisciplina,agressões e violência na Escola!!!
Tudo isto afecta e muito o sucesso escolar.
A pequena indisciplina (não fazer TPCs, perturbar os colegas, não entregar a caderneta ao prof. quando este a pede, não estudar por sistema, não registar o que se passa no quadro, interromper professores e colegas inadequadamente, levar distractores para a aula e brincar com eles debaixo do tampo da mesa, não cumprir regras da aula, chegar atrasasado, estar sempre a pedir para sair, levantar-se, tirar objectos da mesa do colega, riscar-lhe os livros etc…
Depois temos as agressões, em grande nº entre colegas, geralmente os mais velhos e mais fracos no aproveitamento agem como heróis negativos e obrigam os mais novos a prestar-lhe serviços em troca de “protecção”.
Estas agressões chegam a ser muito graves do ponto de vista físico e psicológico.
Os que agridem também são ou foram vítimas da sociedade.
Dois alunos que tive, nessas condições, hoje estão mortos:um por overdose, outro por suicídio…Eram muito novos e tinham mau comportamento na escola,actuavam como agressores e eram muito violentos.
Depois temos actos violentos dirigidos contra adultos. Esses surgem quando os alunos vão quebrando outras barreiras, ficam impunes e sobem de escalão:as vítimas passam a ser os empregados ou professores…
Se o PGR quer combater este estado de coisas é de louvar, o ME não se sabe bem porquê (teorias do eduquês)tem vindo a favorecê-lo.
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Os telemóveis e outros aparelhos electrónicos são proibidos pelo estatuto, mas na realidade não é possível a nenhum professor, cabalmente, impedir o seu uso. Basta que os alunos os estejam a utilizar fora do alcance do olhar do professor (escondendo-o atrás do colega, ou por baixo do tampo da mesa e usá-los para enviar mensagens ou como calculadora. Outros alunos põem-nos, no modo vibrar, dentro do bolso e retiram-nos para ler mensagens; os cabelos compridos ou um cachecol também podem esconder os fios dos auriculares) … Por isso, muito dificilmente, o professor tem capacidade de conseguir impedir que estes aparelhos funcionem como distractores nas aulas. Acho que todos os professores têm noção disto. Quanto à professora em causa devia reconhecer isso mesmo e na última aula, de boa fé, permitiu que fossem usados, às claras, com limites. O que se passou em seguida é indescritível… Mas todos já vimos…É mesmo verdade!!!
A sanção aplicada à aluna é o expediente permitido pelo estatuto… Não acho sequer que se possa chamar sanção… O circo vai continuar… apenas muda de lugar.
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Nem todas as viagens são exteriores. Há viagens interiores. Viagens que fazemos dentro do nosso mundo de sensações. Tudo o que nos resta de qualquer vivência é sempre interior.
Há a experiência rotineira repetitiva quotidiana que não pretende mais do que conservar a vida que temos e que socialmente partilhamos. Resta-nos a aventura interior para um conhecimento que vai além do simples quotidiano. Partimos para a aventura noutras regiões das nossas capacidades. Esquecemos compartimentos artificialmente criados no espírito por outras informações e abalançamo-nos no campo da ignorância. A aventura é avançar naquilo que é proibido e onde não se tem a certeza de ser compensado, é tentar o inútil. A nossa vida é condicionada por cortes, renúncias, limites, pausas, atitudes auto e hetero-reguladoras. Mas também somos e estamos feitos de sonhos e sonhar é aquilo que mais intimamente significativo nos acontece na vida. Para as nossas viagens interiores precisamos da coragem, de admitir este facto e assumi-lo. Captar o tempo. Criar imagens. Organizar o espaço e atribuir-lhe significado. Dar lugar ao sonho e fazer uma tentativa de atribuir símbolos à vida quotidiana.Dar expressão à incerteza e fazer com que ela seja uma condição de liberdade para tudo o que intimamente vamos imaginando. Abrimos assim caminho à criatividade mais compatível com a imaginação que as certezas e acertos convencionais e quotidianos.Todo este divagar é a introdução ao meu blog.